Metalúrgicos da Embraer recebem solidariedade de sindicato de trabalhadores da Boeing

O sindicato que representa os trabalhadores da Boeing nos Estados Unidos enviou uma moção de solidariedade aos metalúrgicos da Embraer no Brasil. O presidente internacional da Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais, Robert G. Martínez Jr., que assina a moção, afirma ter ficado chocado ao ver o vídeo que mostra policiais espancando sindicalistas.

A moção também revela uma postura antissindical da Boeing contra seus funcionários na Carolina do Sul, Estados Unidos, inclusive com demissões. “Advertimos a Embraer para não importar a conduta antissindical da Boeing para o Brasil”, diz um trecho do texto.

“Nosso Sindicato agradece a solidariedade dos companheiros norte-americanos nesta luta por melhores salários e garantia de direitos. Nossa luta também é internacional”, afirma o diretor do Sindicato, Herbert Claros.

Histórico

Os trabalhadores da Embraer entraram em greve no dia 24 de setembro. Dirigentes sindicais e trabalhadores foram reprimidos, especialmente no dia seguinte, pela Tropa de Choque da Polícia Militar, convocada pela Embraer.

A truculência ganhou repercussão internacional e levou diversas entidades a enviarem moções de apoio à luta dos trabalhadores da Embraer.

Veja a íntegra da moção enviada pela Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais:

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Leia abaixo o conteúdo da moção de solidariedade:

Prezados Senhores e irmãos,

Escrevo para expressar nossa solidariedade ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos na luta por negociar uma Convenção Coletiva de Trabalho justa na Embraer. Também estou escrevendo para expressar nossa indignação com o fato de a empresa ter recorrido à violência para tentar quebrar a recente greve.

Como vocês sabem, a Embraer aguarda aprovação de sua parceria com a Boeing.  O sindicato “IAM – Machinists Union” representa 35.000 funcionários da Boeing nos Estados Unidos e tem participação nas ações da empresa em todo o mundo.  Os trabalhadores da Boeing na Carolina do Sul receberam uma conduta anti-sindical da empresa que inclui contestar o voto democrático dos trabalhadores no sindicato e demissões por atividades sindicais.  Advertimos a Embraer para não importar a conduta anti-sindical da Boeing para o Brasil.

Ações que violam os padrões internacionais de trabalho, como a liberdade dos trabalhadores de se envolverem em ações coletivas, não têm lugar na indústria aeroespacial brasileira ou norte-americana.  Fiquei chocado ao ver um vídeo publicado on-line mostrando as autoridades brasileiras usando métodos mais frequentemente vistos em regimes ditatoriais, como policiais mascarados espancando sindicalistas deitados no chão.

Os trabalhadores do setor aeronautico brasileiro estão fazendo exigências razoáveis ​​à empresa – segurança no emprego contra terceirização, direitos para trabalhadores lesionados e aumentos salariais que acompanham a inflação.  Quaisquer que sejam as diferenças entre sindicato e gerência, a violência nunca deve ser usada como arma contra a liberdade de reunião dos trabalhadores.

Em nome de 600.000 membros do sindicato IAM – Machinists Union em toda a América do Norte, envio nossa solidariedade ombro a ombro aos membros do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.  Denunciamos de todo o coração a violência ou a intimidação de sindicalistas em casa, no Brasil e no mundo.

Em solidariedade,

 Robert G. Martínez Jr.

 PRESIDENTE INTERNACIONAL

 Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores Aeroespaciais

Moçãp