Sindicato vai promover campanha nacional contra venda da Embraer

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região enviou carta ao presidente Michel Temer, nesta sexta-feira (22), cobrando um posicionamento oficial e contrário a qualquer tipo de transação que represente a transferência de controle acionário da Embraer para a norte-americana Boeing.

Este foi o primeiro passo do Sindicato para dar início a uma campanha nacional contra a venda da Embraer e por sua reestatização. Além da carta ao presidente Temer, o Sindicato enviará delegações a Brasília com essas exigências ao governo.

As negociações entre as duas fabricantes de avião foram confirmadas oficialmente na tarde de ontem. A venda da Embraer, seja total ou parcial, representa a entrega de uma empresa estratégica para o país e de um patrimônio público que vem sendo construído há 48 anos pelos trabalhadores brasileiros.

Clima de tensão na fábrica

O Sindicato também protocolou hoje uma carta para a direção da Embraer, pedindo agendamento de reunião. Os trabalhadores da fábrica em São José dos Campos estão demonstrando bastante preocupação, já que até agora a Embraer não deu qualquer informação a respeito para os seus funcionários.

O Sindicato pretende organizar os trabalhadores da Embraer para lutarem contra a venda, inclusive com manifestações de rua e greves, se necessário. A empresa emprega 12 mil pessoas em São José dos Campos, onde está sua sede. No Brasil, são 16 mil.

Haverá também uma campanha de conscientização da população sobre a importância de reestatização da Embraer.

Desnacionalização

Desde 1999, o Sindicato vem denunciando o processo de desnacionalização iniciado pela Embraer. Na época, um consórcio francês liderado pelas empresas Aérospatiale Matra, Dassault Aviation, Thomson-CSF e Snecma tinha a intenção de comprar 20% das ações da Embraer. Os planos não se concretizaram porque o governo se posicionou contra.

Mesmo sem a venda de ações para capital estrangeiro, a Embraer adotou a política de desnacionalização por meio da transferência de parte da produção para o exterior, como é o caso dos jatos Legacy e Phenom para os Estados Unidos. Parte das peças do cargueiro militar KC-390 também está sendo produzida no exterior.

Há anos, a Embraer vem sinalizando seus planos de transferência para fora do Brasil, apesar de todos os benefícios e recursos públicos recebidos desde a sua privatização. A venda para a Boeing será uma afronta a todo o povo brasileiro. A Embraer é uma empresa nacional e tem de ser reestatizada.

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