Embraer faz aniversário, mas não divide o bolo

Herbert Claros é vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

Todos os dias, 12 mil trabalhadores saem de suas casas rumo à Embraer. Ali, permanecem nove horas para construir os aviões que são motivo de orgulho para todo país. A montagem das aeronaves depende de especial atenção de cada trabalhador. Tudo tem de ser perfeito.

Mas, essas pessoas que constroem aviões são vistas com descaso pela própria Embraer. Apesar dos belos discursos da empresa, a prática é bem diferente.

No último final de semana, a Embraer completou 48 anos de fundação. Essa história pode ser contada dos mais diversos pontos de vista, mas aqui vou falar a partir do que presencio diariamente dentro da fábrica.

Desde sua privatização, a Embraer adota uma política de desvalorização dos trabalhadores. Conheço inúmeros funcionários que estão há décadas na fábrica e, mesmo assim, têm grande dificuldade em bancar as despesas da casa, pagar a escola dos filhos e conseguir comprar aquela desejada passagem aérea para passear com a família nas férias.

Os metalúrgicos acabam de entrar em Campanha Salarial. Será mais uma dura batalha para arrancar da Embraer aumento real, que não é pago desde 2014.

Isto porque a prioridade da direção da empresa é garantir o lucro dos acionistas e transferir a produção para fora do Brasil. Os salários e o emprego dos trabalhadores também estão sendo comprometidos em razão da multa que a empresa tem de pagar depois de ter se envolvido em corrupção.

Em sua festa de aniversário, que a Embraer atenda as reivindicações dos trabalhadores, garantindo melhores salários. Isto não é presente: é direito.

Fonte: SindMetalSJC – artigo publicado no jornal O Vale

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