Por que não serei candidato ao Conselho Administrativo da Embraer

2013-10-16_embraer_assembleia-campanha-salarial_roosevelt-cassio-10A Embraer encerrou, na sexta-feira (20), o período de inscrições de candidatos que representarão os trabalhadores no Conselho Administrativo da empresa. Foi com muito orgulho que conquistamos em 2015 uma cadeira no Conselho de Administração da Embraer. Entretanto, este ano não voltarei a me candidatar.

A minha decisão, em conjunto com meu suplente André Luis, o Alemão, e os companheiros do sindicato, baseia-se no fato de que estar no Conselho Administrativo em nada colabora para a luta por direitos dos trabalhadores.

A Embraer passa por um momento em que é de extrema importância a atenção dos trabalhadores a cada passo dado pela empresa. O envolvimento da alta cúpula em corrupção colocou em risco empregos e direitos de quem nada tem a ver com toda essa negociata. Tendo este cenário como pano de fundo, a empresa achatou salários, abriu um programa de PDV, layoff e deu continuidade a seus planos de transferência da produção para o exterior. Toda essa política tem minha total rejeição, seja como conselheiro, seja como dirigente sindical.

Durante muitos anos o Sindicato dos Metalúrgicos apresentou candidaturas ao Conselho, sempre com o propósito de fazer valer a voz dos trabalhadores num ambiente dominado por acionistas da Embraer. Em 2015, o objetivo foi alcançado e agradeço a cada um dos 4.070 votos conquistados. Eles simbolizavam a concordância com nossas propostas para redução da jornada de trabalho, fim da desnacionalização da Embraer, mudança na forma de distribuição da PLR, melhores condições de trabalho e tantas outras reivindicações.

O Conselho Administrativo não representa os trabalhadores. Assim como a diretoria da Embraer, os conselheiros só se preocupam com o lucro, não com os trabalhadores. Para eles pouco importa se aqui haverá demissões enquanto transfere a produção para os EUA. Para eles, em toda campanha salarial os trabalhadores devem receber menos que a inflação.

Nesse período em que estive no Conselho, pude confirmar que ali os trabalhadores não têm espaço. Nós só teremos condições de manter e ampliar nossos direitos através de nossa união.

Se o Conselho não nos representa, não há por que os trabalhadores da Embraer escolherem qualquer candidato. Qualquer dos candidatos só tem interesses pessoais e nenhum compromisso com os trabalhadores. Portanto, além de não participar das eleições, também chamo pelo voto nulo. Esta é uma forma de dizer que os trabalhadores não participarão dessa encenação.

Hoje, como trabalhador da Embraer e vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, cheguei à conclusão que fora do Conselho terei mais liberdade para continuar lutando em defesa do emprego e direitos. Por isso, nenhuma confiança no Conselho Administrativo e boicote às eleições.

#TamoJunto
Herbert Claros

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