As redes sociais e a luta dos trabalhadores

 

midias-sociais-e-as-manifestacoes-popularesAs redes sociais ganharam definitivamente as barricadas das lutas dos trabalhadores e da juventude. Ao longo da última década, com a massificação dos smartphones e redes como Twitter, Facebook, Whatsapp e YouTube, as imagens e sons das lutas sociais e até revoluções se espalharam ao redor do mundo.

Podemos afirmar que a massificação das redes sociais nas lutas começa com o movimento Occupy Wall Street, nos Estados Unidos, em 2010 e 2011. Aqui teve grande destaque o Twitter que ajudou a massificar e inspirar o movimento em diversas cidades dos EUA com o lema de ocupar os espaços públicos. Em Tumblr.com, o blog “Nós somos os 99 por cento” continua até hoje a publicar histórias de centenas de pessoas que lutam e denunciam os efeitos do capitalismo nos EUA.

As redes foram fundamentais também na comunicação, organização e divulgação das manifestações da Primavera Árabe. Países ditatoriais com rígido controle sobre a imprensa e mídia em geral se viram pressionados por massas de jovens e trabalhadores convocados pelas redes, engrossando as marchas e ocupações de praças e prédios públicos na luta pela democracia. Diversas páginas de Facebook e ativistas através do Twitter compartilhavam imagens das massivas manifestações e denunciavam a repressão dos governos.

A mesma experiência se seguiu em países da Europa, com mobilizações contra os planos de austeridade.

No Brasil, as grandes manifestações de 2013 foram impulsionadas com a transmissão pelas páginas do Facebook e canais de vídeos no Youtube, como as realizadas pelo grupo de esquerda Mídia Ninja.

Com esses eventos internacionais, os movimentos sociais começam a dar mais importância ao uso das redes como instrumento de mobilização e possibilidade de se romper o bloqueio da grande imprensa.

A partir das experiências das ruas e da juventude nos protestos, os sindicatos e organizações sociais compreenderam o alcance dessas ferramentas.

As redes sociais e suas multifacetas

Por outro lado, as redes sociais também são fartamente usadas pelo governo, empresas e organizações de ultradireita para disseminar seus conceitos e disputar a consciência dos trabalhadores.

É muito importante não menosprezar o peso que governo e patrões estão dando cada vez mais ao uso das redes. Como na grande mídia o intuito é usar essas ferramentas para alienar os trabalhadores e juventude. Todos vimos como setores de direita, MBL e o Vem Pra Rua, usaram as redes sociais para levar milhares de pessoas as ruas com o discurso contra a corrupção, mas na verdade com uma agenda neoliberal e reacionária.

Outro aspecto e que estamos vivendo é uma crise mundial das organizações operárias tradicionais, que passam por um processo de burocratização de suas lideranças e o afastamento cada vez maior de suas bases. Neste sentido,  o uso das redes sociais para a disputa de entidades de classe independentes e combativas é  um avanço, assim como as CIPAs (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) foram a partir dos anos 80 para organizar o trabalho de base e as oposições sindicais.

É preciso romper com preconceitos e falsas ideologias e colocar as organizações à frente das lutas dos trabalhadores, considerando também o uso das redes sociais.

É ambição de todo comunicador e lideranças fazer chegar a informação de sua entidade ao maior número possível de pessoas.  Para isso, estão à disposição ferramentas como vídeos, memes, aplicativos, blogs, SMS, Whatsapp (grupos ou lista de transmissão) etc.

As redes sociais são, portanto, potenciais veículos de comunicação para organização dos trabalhadores.

Da filipeta ao Whatsapp                                                                                       

operador-de-maquinas-usando-celular-na-empresaÉ parte indissociável da história do movimento operário o uso de boletins e suas diversas variantes na comunicação com os trabalhadores. Uma dessas variantes são as filipetas, uma pequena folha de  papel em que se escreviam palavras de ordem ou breves textos a respeito da necessidade conjuntural. Fosse a divulgação de um dado financeiro da empresa, convocatórias para assembleias ou até mesmo o “start” para uma greve. O objetivo da filipeta era a disseminação no “chão de fábrica” das ideias ou objetivos práticos do movimento.

Hoje podemos afirmar que o aplicativo Whatsapp cumpre esse papel,  mas de forma mais rápida,  abrangente,  atraente e, principalmente, interativa. Diferente do que acontecem com filipetas e boletins, o trabalhador não só recebe a informação, mas também envia, opina e compartilha.

A formação de grupos entre trabalhadores e sindicatos pode levar ao debate online e à organização de lutas.  Mas apesar das discussões ocorrerem em grupos fechados, o risco de repressão também é uma realidade no Whatsapp. Afinal, ainda não inventaram um detector de traidores e dedos-duros.

Ainda assim, é fundamental que os organizadores dos movimentos sociais lancem mão das redes e tragam a luta para a realidade. Seja a luta contra a exploração nos locais de trabalho, seja a luta contra governos que subjugam o povo à miséria.

 

 

 

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