Trabalhadores da Embraer aprovam reajuste e reivindicam jornada de 40h

Os metalúrgicos da Embraer aprovaram, nesta quinta-feira (17), a proposta de reajuste salarial de 5% mais abono de R$ 4 mil. Os trabalhadores também reivindicaram a redução da jornada para 40 horas semanais como alternativa ao layoff.

A proposta apresentada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que representa a Embraer nas negociações, significou um avanço em relação às apresentadas nas reuniões anteriores. Na primeira negociação, o grupo patronal havia oferecido zero de reajuste e abono de R$ 4 mil.

A votação aconteceu em assembleias no primeiro e segundo turnos da fábrica na Avenida Faria Lima. Nos próximos dias, haverá assembleias na Embraer de Eugênio de Melo, Eleb e fábricas do setor aeronáutico também representadas pela Fiesp.

Na assembleia, o Sindicato defendeu a rejeição da proposta e continuidade das negociações.

“O Sindicato se posicionou contra o reajuste de 5%, que ficou muito abaixo do que era reivindicado pela categoria (11%). Mas respeitamos a democracia operária, em que os trabalhadores decidem”, disse o vice-presidente do Sindicato, Herbert Claros. E completou: “De qualquer modo, não tem como negar que só chegamos a esse índice por conta da pressão que os trabalhadores fizeram na última assembleia. Já havíamos decidido que não aceitaríamos o congelamento salarial. Agora, é seguir na luta por estabilidade no emprego e redução da jornada”.

O reajuste será aplicado aos salários a partir de 1º de janeiro, enquanto o abono será pago já em novembro. Quem recebe salário superior a R$ 11.835,52 terá um fixo de R$ 591,77. Todos os direitos previstos nas cláusulas sociais da Convenção Coletiva serão renovados.

A Embraer se comprometeu a estender o reajuste e abono aos trabalhadores que aderiram ao PDV (Plano de Demissão Voluntária).

Layoff

As negociações entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a Embraer sobre a abertura de layoff (suspensão dos contratos de trabalho) nas fábricas de São José dos Campos continuam no próximo dia 23. A empresa quer implantar layoff a partir de janeiro de 2017, seguindo até o segundo semestre de 2018.

Seriam suspensos os contratos de 2 mil trabalhadores, pelo sistema de rodízio. Para o Sindicato, entretanto, a assinatura do acordo deve ser condicionada à garantia de emprego para todos os trabalhadores (mesmo os que não estiverem em layoff).

Conforme foi aprovado na assembleia de hoje, também será levada para a mesa de negociação a reivindicação da redução da jornada de trabalho sem redução de salário, como alternativa ao layoff. Atualmente, a Embraer pratica 43 horas semanais e possui 13 mil trabalhadores em São José dos Campos.

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