Trabalhadores dão prazo para que Embraer apresente proposta de reajuste salarial

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A Embraer tem até sexta-feira (11) para apresentar uma proposta de reajuste salarial para os trabalhadores e encerrar, dessa forma, a Campanha Salarial na fábrica. Nesta terça-feira (8), os trabalhadores da Embraer voltaram a rejeitar a proposta de abono e exigiram estabilidade no emprego para todos. A decisão foi em assembleias realizadas em todos os turnos de trabalho na planta da matriz em São José dos Campos.

Na última rodada de negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, ocorrida ontem, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) propôs congelamento de salário e um abono que varia entre R$ 7 mil e R$ 9 mil.

Na proposta anterior, o abono seria de R$ 4 mil.
Nas negociações da Campanha Salarial, a Fiesp representa a Embraer e todo o setor aeronáutico. Para as empresas do setor com menos de 5 mil funcionários, os empresários ofereceram abono de R$ 3 mil a R$ 5 mil.

A Embraer possui cerca de 13.000 trabalhadores em São José dos Campos. Caso a Fiesp não apresente a proposta de reajuste até sexta-feira, poderá ser deflagrada greve na fábrica.

Em outras fábricas da região, os metalúrgicos já conquistaram reajustes salariais entre 9,62% e 11%. Os acordos já foram fechados em cerca de 90 empresas, como General Motors, Avibras e Hitachi.

Estabilidade

Além do reajuste salarial, os trabalhadores da Embraer também estão lutando para garantir seus empregos. Nos últimos dias, o presidente da empresa, Paulo Cesar de Souza e Silva, afirmou que novas demissões podem acontecer.

Em outubro, a Embraer demitiu 1.642 trabalhadores por meio de um Plano de Demissão Voluntária (PDV).

Os trabalhadores estão sendo demitidos para que a Embraer pague a multa gerada em razão de corrupção cometida pela alta cúpula da empresa. Isto é inaceitável e, portanto, temos de ter nossos empregos garantidos. O Sindicato está seguindo a vontade dos trabalhadores, de reajuste salarial e estabilidade no emprego.

A Embraer terá de pagar US$ 206 milhões para encerrar o processo que investiga casos de suborno para garantia de vendas de aviões aos governos da República Dominicana, Moçambique e Arábia Saudita, além de descumprimento de leis comerciais na Índia.

Dinheiro público

A Embraer é a empresa que mais recebe financiamentos do BNDES no país, além de ser amplamente beneficiada com políticas de incentivos fiscais do governo federal. Em apenas quatro anos (2012 a 2015), teve R$ 1 bilhão em desoneração da folha de pagamento.

Todos esses dados vêm confirmar que a privatização da Embraer não deveria ter acontecido e que beneficiou exclusivamente os acionistas, formados principalmente por bancos e grupos estrangeiros. Diante de todos esses privilégios, o Sindicato defende a reestatização da Embraer, sob controle dos trabalhadores.

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