Metalúrgicos da Embraer decidem que não pagarão a conta da corrupção

Os trabalhadores da Embraer decidiram que não irão pagar a conta da corrupção em que a alta cúpula da empresa está envolvida. A decisão foi tomada em assembleia entre 5 mil trabalhadores da produção e administrativo, na manhã desta quinta-feira (3), em que foi rejeitada a proposta de abono e congelamento salarial apresentada pela empresa.

Na assembleia, o Sindicato também defendeu a prisão e confisco de bens dos envolvidos em corrupção na Embraer. Os metalúrgicos estão em Campanha Salarial e reivindicam 11% de reajuste e estabilidade no emprego. Em todas as negociações entre o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que representa a Embraer e todo o setor aeronáutico, a proposta patronal era de reajuste salarial zero. Os empresários insistem em pagar apenas um abono para os trabalhadores.

Essa proposta vai na contramão de todos os acordos já aprovados pelos metalúrgicos da região, que conseguiram reajustes entre 9,62% e 15%. Até agora, trabalhadores de cerca de 90 fábricas já estão com seus salários reajustados. 

A data-base da categoria é 1º de setembro. Com o congelamento salarial, como quer a Embraer, os trabalhadores terão perdas de pelo menos 9,62% (inflação do período).
A recusa em reajustar os salários acontece no momento em que a Embraer provisionou US$ 226 milhões para pagar a multa referente ao processo de corrupção pela qual é investigada. 

A Embraer está querendo jogar nas costas dos trabalhadores a conta dos casos de corrupção cometidos pela alta cúpula da empresa. Não vamos aceitar esse absurdo. Os trabalhadores lutarão por reajuste salarial e para que os corruptos da Embraer sejam punidos por seus atos, inclusive com prisão e confisco de bens.

Reunião no Ministério do Trabalho

Na terça-feira (1º), dirigentes do Sindicato reuniram-se com o secretário de Relações do Trabalho Carlos Lacerda, em Brasília, para discutir a situação dos trabalhadores da Embraer.

O presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, cobrou do governo federal medidas em defesa do emprego na Embraer e setor aeronáutico. O Sindicato defendeu o fim da desnacionalização dos aviões da empresa e a punição dos responsáveis pela corrupção. 

O secretário Carlos Lacerda se comprometeu a agendar uma reunião entre a Embraer e o Sindicato.

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