Embraer demite no Brasil, mas investe pesado nos Estados Unidos e Portugal

9757cddd-76f7-4f73-a191-e3d5fb7bbcc4A Embraer inaugurou uma nova fábrica nos Estados Unidos uma semana após anunciar que 1.470 trabalhadores brasileiros serão demitidos por meio do PDV (Plano de Demissão Voluntária), encerrado dia 14.

A nova unidade norte-americana entrou em operação nesta terça-feira (20) e deve gerar 150 empregos diretos. Hoje, a empresa brasileira já emprega cerca de 1.000 trabalhadores nos Estados Unidos. Este número deve chegar a 1.600 com a expansão da fábrica da Embraer em Melbourne, que recebeu um investimento de US$ 76 milhões e tem conclusão prevista para o final deste ano.

A Embraer esvazia suas fábricas no Brasil para investir nas unidades construídas nos Estados Unidos e em Portugal. Isso é inadmissível, a empresa visa apenas os interesses dos acionistas estrangeiros, que agora são os donos da Embraer.

Esse esvaziamento não afeta apenas os trabalhadores da Embraer. Se não houver uma grande mobilização dos metalúrgicos pela manutenção do emprego, toda a cadeia produtiva do setor aeronáutico será impactado.

Crise?

Além dos Estados Unidos, a Embraer tem investido pesado em Portugal. Em julho, a empresa brasileira anunciou o investimento de mais de 93,6 milhões de euros na expansão de sua planta em Évora. As peças produzidas na fábrica portuguesa são enviadas de navio para as unidades da Embraer no Brasil e nos Estados Unidos.

Na mesma data, a Embraer também anunciou que vai colocar mais 10 milhões de euros na OGMA, empresa portuguesa de manutenção de aeronaves na qual tem participação acionária.

Esses investimentos da empresa brasileira no exterior derrubam por terra a ladainha da empresa, que aponta o declínio do mercado como justificativa para demitir trabalhadores brasileiros. Se o mercado estivesse ruim mesmo, a Embraer poderia adiar os investimentos no exterior e garantir os postos de trabalho no Brasil.

E para piorar ainda mais a situação dos trabalhadores brasileiros, o contrato do governo com a Embraer, para fabricação do avião militar KC-390, beneficia empresas da Argentina, Cazaquistão e Espanha, ao invés de fomentar a cadeia produtiva do setor aeronáutico no Brasil.

A Embraer foi amplamente beneficiada com dinheiro público, por meio de financiamentos, incentivos fiscais e contratos com o governo brasileiro. Temos que exigir que a empresa dê um retorno à sociedade. É um absurdo que a prefeitura e os governos estadual e federal não façam nada pela manutenção do emprego na Embraer.

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