Governo Temer defende jornada de trabalho de até 12h diárias

imagesSe alguém ainda tinha dúvidas sobre as intenções de Temer, os recentes anúncios de ataques aos direitos deixam claro qual vai ser o tom de seu governo. Desta vez foi o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, quem escancarou o que Temer pretende com a proposta de Reforma Trabalhista.

Segundo o ministro, a intenção é permitir uma jornada diária de trabalho de até 12 horas. A afirmação foi feita durante um encontro com sindicalistas, na tarde desta quinta-feira (8).

Nogueira também afirmou que a jornada semanal de trabalho, hoje limitada a 44 horas, passaria a ser de até 48 horas, sendo consideradas 4 horas extras.

Além disso, serão criados dois novos tipos de contrato: por horas trabalhadas e por produtividade. Os detalhes sobre os novos tipos de contrato, no entanto, só deverão ser revelados na proposta da Reforma Trabalhista que o governo prepara.

Reação

O anúncio causou indignação entre os trabalhadores. Representantes das centrais CSP-Conlutas, CUT, Força Sindical e UGT denunciaram os ataques que o governo Temer quer promover sob a desculpa da flexibilização.

Com a repercussão, Temer foi obrigado a entrar em contato com o ministro para que ele negasse as próprias afirmações, o que de fato aconteceu, de forma tímida, nesta sexta-feira (9).

O retorno do ACE

Outro ponto ressaltado pelo ministro foi de que é preciso flexibilizar as relações trabalhistas, permitindo que “as convenções e acordos negociados entre patrões e empregados prevaleça sobre o que está na legislação”.

Se você ficou com a impressão de já ter escutado isso antes, não custa lembrar que a proposta é apenas uma nova forma de apresentação do Acordo Coletivo Especial (ACE), um projeto elaborado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, e enviado ao governo da então presidente Dilma Rousseff, em 2012.

Assim como o ACE, a Reforma Trabalhista de Temer pretende atacar direitos que hoje são garantidos pela CLT, como 13º salário, férias, adicional noturno e até o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Mobilização

Ao mesmo tempo em que o ministro anunciava os ataques que o governo prepara, os trabalhadores se preparavam para a dura batalha unificando a luta em defesa dos direitos e da aposentadoria no próximo dia 29.

A ação conjunta foi decidida nesta quinta-feira (8), em uma reunião com diversos sindicatos, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e levará metalúrgicos de todo país a cruzarem os braços contra o desemprego e a retirada de direitos imposta pelas reformas trabalhista e da Previdência.

A mobilização vai unir sindicatos, federações e confederações metalúrgicas ligadas à CSP-Conlutas, CUT, Força Sindical, Intersindical e CTB.

A única forma de barrar esses ataques é através da luta unificada. Este é um passo importante na construção de uma greve geral para pressionar Temer e derrotar as reformas que só prejudicam os trabalhadores.

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