Arroz com feijão mais caro na mesa dos trabalhadores

transporte-de-feijao-reserve-eu-plantei-um-pé-de-feijão-2788924O prato base da alimentação do trabalhador (a) brasileiro está mais caro na mesa. O arroz com feijão, combinação que compõe a dieta da maioria da população do país por ser mais barata, juntos tiveram um aumento de pelo menos 66% no prato do consumidor.

De janeiro a abril deste ano o preço do arroz aumentou 12,42% e representa três vezes mais do que a inflação no período. As capitais que bateram recordes de aumento foram Boa Vista, com aumento de 13,49%, Manaus 12,14% e Vitória 10,39%. Em alguns supermercados o preço, dependendo da marca, chega a R$ 16.

O feijão carioca que é o mais consumido no Brasil, correspondendo a 85% das vendas, ficou 54,1% mais caro desde o começo do ano. Só em junho, subiu 16,4%. O feijão preto, usado no preparo da feijoada, teve alta de 21,4% no ano e 2,3% no mês.

Além disso, o tempero costumeiramente usado para o preparo de ambos os alimentos também subiu: a cebola ficou 32,7% mais cara desde o começo do ano e o alho, 36,2%.

“É inadmissível um país rico como o nosso elevar tanto o valor do alimento que sustenta as famílias pobres brasileiras. Enquanto o arroz com feijão aumenta a preços absurdos, acima da inflação, os trabalhadores sofrem com os baixos salários, tem reajustes salariais corroídos, ou pior, sofrem a penúria do desemprego, que atinge 11 milhões pessoas”, salienta o dirigente da CSP-Conlutas Nacional, Atnágoras Lopes.

Mas e o prato do rico?

Se falta dinheiro para o trabalhador pobre conseguir comprar o arroz com feijão de cada dia, por outro lado, a população rica tem ficado cada vez mais abastada. É o que aponta o estudo do professor da USP Rodolfo Hoffmann, especialista em políticas sociais. De acordo com o levantamento, entre o primeiro trimestre de 2015 e este ano, a metade mais pobre da força de trabalho perdeu renda, já entre os 10% mais ricos, ela cresceu.

“Essa é a lógica do capitalismo, essa máquina de moer gente que explora o trabalhador para ganhar cada vez mais em cima do suor de seu trabalho”, reitera Atnágoras, reforçando que é preciso combater essa dinâmica perversa. “Em um país que enfrenta essa crise política e econômica, que tem endereço e classe social, ou seja, atinge os trabalhadores, é preciso mais do que nunca lutar, fazer greves, paralisações, ocupar escolas e mostrar nossa indignação. Já passou da hora de fazermos uma greve geral nesse país, por emprego, salários e contra o aumento dos alimentos”, concluiu.

 

Fonte: CSP-Conlutas

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