Metalúrgicos da Embraer reivindicam estabilidade no emprego e votam Fora Temer

Os metalúrgicos da Embraer, unidade Faria Lima, reivindicaram em assembleia, nesta quinta-feira (30), a garantia de estabilidade no emprego e o fim das demissões provocadas pela desnacionalização de parte da produção da empresa. Houve assembleias com os trabalhadores da produção e setor administrativo. Na quarta-feira (29), a assembleia aconteceu na Embraer de Eugênio de Melo.

A votação foi em resposta às demissões que têm ocorrido na fábrica, pelo sistema “conta-gotas”, e que revelam a tendência de redução de postos de trabalho nas unidades brasileiras da Embraer.

A preocupação dos trabalhadores não é por acaso. Os investimentos da empresa em fábricas localizadas nos Estados Unidos, Portugal e México mostram que, pouco a pouco, o Brasil está perdendo espaço na produção de aeronaves e geração de empregos. Os números não mentem. Em Portugal, a Embraer vai abrir 262 vagas na fábrica de Évora, onde já existem 500 trabalhadores. Nos Estados Unidos, serão gerados 600 novos postos de trabalho. Enquanto isso, no Brasil as contratações estão cada vez mais reduzidas.

Somente até março deste ano, a empresa já fechou 39 postos de trabalho, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregos e Desempregados) do Ministério do Trabalho. Em 2015, foram fechadas cerca de 100 vagas.

E não é só.  No Brasil, a empresa também está demitindo trabalhadores com salários mais altos para contratar outros com salários inferiores. Esta prática leva à precarização da mão de obra qualificada da Embraer.

Todos esses problemas também estão sendo sentidos pelos companheiros de Gavião Peixoto e Botucatu.

Em defesa do emprego

Na próxima quinta-feira (7), o Sindicato vai levar o assunto para discussão na Gerência Regional do Trabalho, em mesa redonda com a empresa. Um dos pontos a serem questionados é o fato de a Embraer ser beneficiada com dinheiro público (com contratos, financiamentos e incentivos fiscais) e, ainda assim, dar continuidade à política de transferência de parte da produção para o exterior.

Também estará em pauta a demissão de lesionados praticada pela Embraer, o que fere a Convenção Coletiva da categoria.

O fato de não estar acontecendo demissão em massa não significa que a situação é menos grave. Estamos falando de um processo lento, mas com consequências duras para os trabalhadores e para o país. Temos de nos mobilizar para exigir que o governo federal intervenha e barre esse processo de desnacionalização imediatamente.

Fora Temer, fora todos!

Além de reivindicarem a estabilidade no emprego, os trabalhadores da produção também aprovaram a campanha pela saída do governo Temer e convocação de novas eleições gerais.

“A crise econômica está sendo paga pelos trabalhadores, com desemprego, serviços públicos precários e o salário sendo corroído todos os dias pela inflação. E a coisa vai piorar ainda mais, com as reformas trabalhista e previdenciária que, assim como Dilma pretendia fazer, o governo Temer também quer nos empurrar. Temos que derrubar esse governo do PMDB, sem deixar que o PT volte. Os trabalhadores têm de se unir para exigir a convocação de eleições gerais”, defendeu o diretor do Sindicato, André Luis Gonçalves, o Alemão.

Anúncios