Embraer atropela Comissão de PLR

Ontem ocorreu a reunião da Comissão de PLR da Embraer e a empresa mais uma vez desrespeitou os membros da comissão impondo na base de ameaça um mesmo acordo rebaixado.

O problema já começou na convocação para a reunião. O R.H. da empresa convocou os membros da comissão de funcionários via carta sem descrever a pauta da reunião. Logo no início, o representante da empresa comunicou que o objetivo da reunião era somente renovar o acordo de PLR de 2015 por mais dois anos.

Contrários a essa imposição, alguns membros da comissão de PLR argumentaram que esse não poderia ser o procedimento para um novo acordo, sobretudo porque a maioria dos trabalhadores da fábrica questionam os métodos de cálculo e divisão da PLR.

O último acordo prevê que a PLR da Embraer seja calculada a partir do lucro líquido da empresa e dividido entre trabalhadores da seguinte forma: 50% em partes do total em partes iguais e o restante proporcionalmente de acordo com os salários.

Depois de um intenso debate, a empresa disse que não aceitaria mais negociar e que, se não houvesse acordo, eles simplesmente deixariam os trabalhadores sem PLR!

A empresa sequer acolheu o pedido dos sindicatos de construir um calendário de negociações para que a Comissão pudesse fazer sugestões e alterações no acordo.

Os principais sindicatos das plantas e representantes independentes questionaram o método truculento da empresa e votaram contra a proposta, que acabou sendo aprovada por contar com votos de representantes pelegos e também de alguns membros que não têm estabilidade no emprego e temem represálias.

Comissão de mentira

Os trabalhadores já sabem que com essa Comissão de PLR pelega nada vai mudar. Na verdade, a Comissão de PLR da Embraer não existe.

A Comissão nada mais é que um grupo de trabalhadores que não tem estabilidade e que são eleitos numa votação totalmente controlada pela fábrica. O resultado é uma comissão que não tem poderes de fato para sugerir e construir um acordo de PLR.

Isso acontece porque a empresa usa de má fé de uma interpretação errada da lei de PLR para impor sua política com o aval de uma Comissão que de fato não representa a realidade do conjunto da fábrica.

Precisamos lutar para que as negociações sejam diretamente com o Sindicato, como acontece nas principais fábricas da nossa região.

Só choradeira!

Tentando justificar o injustificável, o representante da empresa e alguns de seus puxa-sacos argumentaram na reunião que a empresa não passa por boa situação econômica. Só choradeira e mentira!

A Embraer tem usado a velha tática de repetir sistematicamente a mesma mentira até que as pessoas acreditem que é verdade. Mas o discurso de crise, que é muito repetido por supervisores e gerentes, não engana mais a galera.

Basta fazer uma busca simples nos sites de pesquisa e de economia para reparar que a Embraer registrou um importante crescimento no último período. O volume de entrega de aeronaves em 2015 foi o maior dos últimos cinco anos e a expectativa para 2016 é que esses números sejam maiores.

Nossa luta é por PLR baseada na realidade do que produzimos

Há anos o Sindicato e os trabalhadores vêm exigindo mudanças na PLR da Embraer. Afinal, o cálculo da PLR baseado no lucro líquido é desonesto.

A Embraer é a quarta maior fabricante de aeronaves do mundo e a terceira maior exportadora do estado de São Paulo. Entretanto, é a empresa que paga a pior PLR do país.

Muitos trabalhadores não compreendem como uma empresa que fábrica um produto de alto valor agregado, como os aviões da Embraer, pode pagar uma esmola de PLR aos seus empregados.

A verdade é que não existe PLR boa ou justa. A PLR foi criada para impor aos trabalhadores o compromisso de gerar lucros para os patrões. Graças à força dos trabalhadores, em muitas empresas a negociação ocorre diretamente com o sindicato e, na maioria destas negociações, se discute a PLR com base a produção.

Na Embraer é coisa é bem pior! As negociações são feitas por uma Comissão falsa e o acordo prevê a retirada de valores para divisão da PLR sejam baseadas em cálculo de 12,5% do lucro líquido.

O problema de basear a PLR a partir do lucro líquido é que ao longo do ano a empresa faz investimentos, paga impostos e tributos, investe em infraestrutura, maquinário e deixa somente o que sobra no caixa para pagar a PLR. Deste modo a participação real do trabalhador na fabricação dos aviões é desconsiderada.

Com união e mobilização podemos mudar isso

Precisamos nos unir para mudar essa PLR. A empresa garantiu as entregas de 2015 e em 2016 o volume de produção de aeronaves vai ser ainda maior. Por isso, está na hora de exigirmos uma PLR maior e dividida em partes iguais.

Os companheiros da GM estão numa importante greve porque a empresa deixou de cumprir o acordo de PLR. Temos que seguir este exemplo de luta para exigir maior participação nos lucros.

Queremos que a PLR seja negociada diretamente com o Sindicato e que as propostas sejam levadas para apreciação dos trabalhadores em assembleia. Com união e participação de verdade, poderemos lutar por uma PLR que reflita a realidade daqueles que fabricam aviões e garantem segurança em vôo.

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