Em audiência pública, Sindicato cobra fim da desnacionalização da Embraer

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A audiência pública que discutiu, nessa segunda-feira (14), as consequências da desnacionalização da Embraer não deixou dúvidas: é urgente que toda a sociedade se mobilize para impedir que a empresa continue transferindo para o exterior os postos de trabalho que hoje estão no Brasil. Apesar da gravidade e importância do assunto, a Embraer e o prefeito Carlinhos de Almeida (PT) preferiram se omitir e, apesar de terem sido convidados, não compareceram ao evento.

Ao final da audiência, agendada a pedido do Sindicato, o presidente da Câmara Municipal, vereador Shakespeare Carvalho (PRB), anunciou que será formada uma comissão e convocadas plenárias para acompanhamento  do assunto.

Os números e fatos apresentados pelo Sindicato durante a audiência confirmam a prática da desnacionalização. Daqui a duas semanas, por exemplo, toda a produção do modelo Phenom 100 e 300 será transferida para a fábrica de Melbourne, nos Estados Unidos.  Também já está nos planos da Embraer a transferência do modelo Legacy para a fábrica da Embraer em Évora, Portugal.

“A aviação executiva não vai mais ser feita no Brasil, mas nos Estados Unidos. Só este segmento representa algo em torno de 800 a 900 empregos diretos da Embraer, incluindo produção de peças, montagem e engenharia. Empresas aeronáuticas como Sobraer, Aernova, Latecoere e Alestis, todas com fábricas em nossa região, não estão listadas no futuro da Embraer”, disse o vice-presidente do Sindicato, Herbert Claros.

A Latecoere, responsável pela produção da fuselagem dos jatos E2, deve encerrar as atividades dentro de três ou quatro anos e, consequentemente, demitir 400 trabalhadores. Isto vai acontecer porque as atividades desenvolvidas pela empresa será transferida para a fábrica Triumph, nos Estados Unidos.

O próprio KC-390, cargueiro militar desenvolvido pela Embraer e comprado pela Força Aérea Brasileira por R$ 7,2 bilhões, não vai gerar os postos de trabalho inicialmente previstos. O motivo é o mesmo: grande parte de sua produção estrutural será feita fora do Brasil.

Segundo a economista Renata Belzunce, técnica do Dieese que participou da audiência, a cada dois empregos gerados pela Embraer, outros três são alavancados. Mas o contrário também existe, e é justamente isso que preocupa. Para cada dois trabalhadores demitidos pela Embraer, outros três serão abalados.

O ex-diretor do Sindicato, Edmir da Silva, é um estudioso do setor aeronáutico. Seus estudos resultaram num dossiê sobre a desnacionalização da Embraer, que foi apresentado aos vereadores. Na audiência, Edmir ressaltou o Plano Nacional de Exportações para o período de 2015 a 2018, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Segundo o próprio MDIC, para cada 1 bilhão de dólares em exportação deveriam ser gerados 50 mil empregos. Mas na Embraer isto não acontece, justamente em razão do alto índice de peças importadas usadas nos aviões. No ano passado, a empresa exportou 5 bilhões de dólares, mas os empregos não saíram do lugar.

A ausência da Embraer foi duramente criticada pelos participantes da audiência.

“Por que a Embraer não responde a todos esses questionamentos? Este é um debate público, mas ela se nega a debater com os trabalhadores. A Embraer foi construída com o suor dos trabalhadores brasileiros, portanto ela tem que dar satisfação a eles. É lamentável que a empresa não esteja aqui na Câmara. A Embraer debate com governo, com os parlamentares, mas se nega a debater com quem produz”, afirmou Luiz Carlos Prates, o Mancha, da CSP-Conlutas.

“Essa luta contra a desnacionalização e a favor do emprego não pode ser só do Sindicato. Não podemos esperar com passividade que a produção seja transferida para outros países. Também temos que levantar a bandeira da estabilidade, do fim do assédio moral, cobrar a redução da jornada e a reestatização da empresa”, concluiu o presidente do Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.
Fonte: SindMetalSJC

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