CARTA À EMBRAER: sobre a desnacionalização e o coronelismo

Embraer_38463_2
O debate sobre o processo de desnacionalização das aeronaves da Embraer ganhou inacreditáveis contornos provincianos. Esta semana, fomos impedidos, pela própria Embraer, de nos reunirmos com o prefeito de Botucatu, João Cury (PSDB). Estariam em pauta as consequências negativas da desnacionalização para a cidade e para o país.

A reunião já estava agendada para terça-feira (17), mas a empresa entrou em contato com o prefeito e “sugeriu” que o encontro fosse cancelado. Essa intervenção não aconteceu por acaso. Como a fábrica da Embraer em Botucatu produz peças para aviões executivos, a transferência da produção para o exterior pode significar desligamentos na fábrica.

Estivemos em Botucatu a convite do Sindicato dos Metalúrgicos daquela cidade, que se somou à campanha contra a desnacionalização e em defesa do emprego.

A interferência da Embraer para impedir que dirigentes sindicais se reunissem com o prefeito de Botucatu é inaceitável e beira as arcaicas práticas de “coronelismo”. A desnacionalização é de interesse nacional e tem de ser amplamente debatida por toda a sociedade. A falta de transparência em nada colabora para que se chegue a uma saída benéfica para o país e para os trabalhadores.

A Campanha contra a Desnacionalização da Embraer, promovida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, é um trabalho sério e de interesse nacional. O assunto já foi levado a Brasília e merece toda atenção do poder público. Mas há aqueles setores que preferem desqualificar a campanha, usando inclusive adjetivos negativos para se referir a dirigentes sindicais. Ainda assim, o Sindicato não vai se dobrar a interesses que não sejam dos trabalhadores.

Para aqueles que teimam em nos chamar de “bandidos”, aqui vai um recado: bandidos são aqueles que se envolvem em corrupção, são empresas que praticam assédio moral contra os trabalhadores e que destroem a comunidade onde estão inseridas.

Nós, dirigentes sindicais, somos trabalhadores e lutamos por direitos e pela soberania do país. Exatamente por isso temos orgulho de nossa história.

 

Herbert Claros – vice-presidente

André Luis Gonçalves – diretor

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos – CSP-Conlutas

 

 

 

Anúncios