Embraer negocia produção dos novos jatos E2 em Portugal

Após transferir aviação executiva para os Estados Unidos, empresa quer construir os novos E-Jets na unidade de Évora

Fábrica em Portugal
Fábrica em Portugal

O Sindicato tem denunciado há pelo menos dois anos a política de desnacionalização da Embraer, no entanto, a empresa ignora os apelos e segue com a transferência da sua produção ao exterior.

Nas últimas semana os trabalhadores se surpreenderam com mais uma noticia de transferência de montagem dos novos jatos E2 para Portugal.

Segundo o jornal português “Diário Económico”, o projeto para construção da segunda geração dos E-Jets em Évora já está em fase de aprovação pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (Aicep).

Desde abril deste ano a Embraer negocia sua candidatura ao Portugal 2020, programa de incentivo às empresas. Com a intenção de construir os jatos executivos E2 em suas fábricas de Évora, o acesso aos fundos comunitários é considerado fundamental. O investimento total pode ultrapassar 90 milhões de euros, cerca de R$ 384 milhões.

Esta não é a primeira vez que a empresa recorre aos fundos comunitários, já que obteve incentivos de 39,5 milhões de euros, em 2010, e 25,4 milhões de euros, em 2013, para investimento nas fábricas de Évora.

Planos e previsões

A fabricante de aviões prevê um ótimo cenário para os E-Jets E2 no mercado para os próximos 20 anos. Serão 6.300 entregas que podem gerar uma receita de US$ 300 bilhões. Somente no mercado americano estão previstas 2.060 entregas no período.

Peças e componentes dos jatos E2, assim como da aeronave militar KC-390, já são produzidas nas fábricas de Évora e da subsidiária OGMA, em Alverca, na qual a Embraer detém 65% das ações.

Em fevereiro deste ano o presidente da Embraer em Portugal, Paulo Marchioto, deixou ainda mais claro papel da unidade nos planos da Embraer ao declarar que a empresa pretende aumentar em até 30% o número de trabalhadores da unidade somente neste ano.

A declaração segue a tendência apresentada pela Embraer nos últimos cinco anos. Enquanto os postos de trabalho no Brasil cresceram apenas 13%, no exterior esse número chega a 61%. Toda a movimentação da empresa deixa clara a intenção de levar toda a construção dos jatos para Portugal, assim como fez com a aviação executiva nos Estados Unidos.

Histórico

Desde 2013 o Sindicato realiza uma forte campanha contra a desnacionalização da Embraer. A campanha inclui a produção de materiais e reuniões com diversas autoridades para denunciar a transferência da produção de aeronaves ao exterior.

Em outubro, uma comissão esteve em Brasília onde conversou com parlamentares e membros do governo para denunciar a situação, que pode significar o fechamento de milhares de postos de trabalho no Brasil. Os ativistas entregaram um dossiê sobre o tema às autoridades e solicitaram a realização de uma audiência pública para discutir a situação.

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