Leia a carta enviada a Frederico Curado sobre a PLR

A PLR é motivo de muito questionamento entre os funcionários da Embraer. Ano após ano os trabalhadores se decepcionam com os valores, que de tão baixos, só podem ser comparados aos pagos por pequenas empresas.

Enquanto a PLR for calculada sobre 12,5% do lucro liquido da empresa, o valor sempre ficará nesse patamar e será muito abaixo do que os trabalhadores desejam e merecem.

Por conta da exigência de mudança na política de PLR feita pelos trabalhadores, produzi e enviei uma carta ao presidente da Embraer, Frederico Curado. No documento é demonstrada a insatisfação dos trabalhadores em relação à PLR e a exigência de que o acordo de PLR seja modificado urgentemente.

Leia abaixo o texto enviado à presidência e diretoria da Embraer:

São José dos Campos, 14 de outubro de 2015

Ao Sr. Diretor-Presidente Frederico Curado e Diretoria

Em 31 de dezembro deste ano, findara a vigência do atual Acordo de PLR da Embraer. Como membro do Conselho Administrativo eleito pelos trabalhadores, gostaria de fazer importantes observações e anseios do conjunto dos funcionários a respeito deste tema.

A política de Participação nos Lucros e Resultados da Embraer e Eleb tem sido motivo de constantes questionamentos por parte dos trabalhadores.

Há anos o Sindicato dos Metalúrgicos de São Jose dos Campos e região via seus representantes vem solicitando via departamento de Relações Trabalhista e Sindicais, que se abra um processo de negociação direta entre sindicato e empresa a respeito da PLR. E sempre com resposta negativa por parte da empresa.

A Embraer é a única empresa na região que não negocia a PLR diretamente com os sindicatos. Já está provado que a negociação da PLR com Comissão de Funcionários não tem sido o melhor caminho em termos de representação dos trabalhadores.

A Comissão de PLR da Embraer é totalmente controlada pela empresa. O problema se inicia no critério de representação para a eleição, onde não há paridade e proporcionalidade de representação. Há membros que representam 300 funcionários e membros que representam 6.000 funcionários. Como exemplo a unidade Faria Lima, onde dois representantes da produção tem o mesmo peso e voto que representantes de departamentos onde não trabalham mais de 100 funcionários.

Outro grave problema em relação à Comissão esta em relação à estabilidade no emprego. Sem estabilidade no emprego é impossível que os membros da comissão externem com liberdade as suas opiniões sobre a PLR.

Infelizmente nos últimos anos, como membro eleito da Comissão de PLR assisti cenas lamentáveis de coação dentro da Comissão de PLR. Em um episodio, a maioria dos membros da comissão tinham votado que a política de PLR da empresa deveria se basear a partir da retirada do Lucro Operacional. Essa proposta inclusive foi referendada e apoiada em assembléia pelos trabalhadores, tanto da produção como do administrativo. No dia seguinte o representante da empresa vai a reunião e faz os membros da comissão mudarem os votos, retirando assim a proposta do pagamento da PLR a partir do Lucro Operacional.

Depois deste episodio, vários membros da Comissão me relataram que foram procurados por seus respectivos gerentes para mudarem seus votos na comissão.

Esses fatos evidenciam que a Comissão não tem dignas condições para representar os trabalhadores da Embraer na negociação de PLR. Os trabalhadores da produção como dos setores administrativos querem ser mais valorizados. A atual política de PLR frustra a todos, empresas de menor porte pagam valores muito superiores aos pagos pela Embraer. A empresa precisa ouvir os funcionários e mudar a postura em relação ao tema.

Em nome da representação dos trabalhadores, venho então por meio desta solicitar a presidência e direção da empresa que atendam a reivindicação dos trabalhadores e iniciem o processo de negociação da PLR do próximo período diretamente com os sindicatos representativos. Por força de lei, o sindicato é o único representante legal dos trabalhadores e por tanto a Embraer deve estar em consonância com esta prática.

Os trabalhadores da Embraer reivindicam uma PLR em partes iguais e com retirada a partir do lucro operacional.

Herbert Claros da Silva

Representantes dos Trabalhadores no Conselho Administrativo da Embraer

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